Pessoas. Várias delas. Não um mar de pessoas, mas um lago, talvez. Um lago raso. Não há profundidade. As pessoas são rasas.
Elas falam, riem, tossem e gritam. Todas ao mesmo tempo. Interrompem umas às outras. Dividem-se em círculos, grupos, duplas. De forma desordenada. Seguem suas próprias regras de segregação. De longe, parecem uma única massa humana. Um lago de pessoas. Um lago raso.
De perto, são mais particulares. Únicos, talvez. Este, joga a cabeça para trás para rir. Aquela, gesticula com as mãos abertas. Outra, faz um muxoxo diante de uma informação desagradável. Então toma um gole de café. Estes vão embora, aqueles vêm vindo. Como o ciclo de evaporação e chuva esvaziando e enchendo um lago. Um lago raso.
Um grupo se levanta. Pára. Explode em riso uníssono. Outro grupo forma uma roda e senta-se. Debate, avidamente, as questões que lhes parecem mais importantes naquele momento. Pequenas ondas que se formam na superfície de um lago.
Este não é meu amigo. Aquela, também não. Este outro, definitivamente não. Aquele ali lê um livro que eu gostei muito quando li, mas não é meu amigo. À minha volta, nenhum rosto conhecido que me sorria e que, aproximando-se, partilhe comigo alguma experiência, alguma alegria, algum qualquer coisa que identifique a ele e a mim. Nenhum cúmplice. Nada a ser retirado do poço de minhas experiências.
Um poço profundo…
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
O Lago
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1 Demonstrações de Atenção:
Só falta ouvido pra sentir a música de fundo, a vibração do universo. A harmonia entre todas as moléculas de vibração e tudo que se move. Não há desordem, não há solidão, não ´há diferença. Só o constante balançar dar peça de Um universo em expansão. Um multiverso em expansão. É tudo sincronia.
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