Queria ser poeta, mas não conseguia. O espírito era capaz de unir as palavras em perfeita melodia e sincronia, mas elas se atravancavam na hora de virar tinta sobre papel. As idéias jamais se tornavam fatos.
– Invido.
Decidiu-se pela Engenharia. Em Geometria Analítica obtinha resultados muitos mais belos do que em poesia. Expressava-se pela eterna tentativa de obter o maior desempenho possível de qualquer projeto.
– Quero.
Até porque, pensava ele, poetas não vivem muito. Nem bem. Intensamente, sim. Bem, não. Era melhor ser engenheiro. Pelo menos era algo que sabia fazer.
– Canta.
Às vezes, pegava-se olhando para um canto em branco de uma página que, tirando aquele pequeno fragmento, estava coberta por uma equação. Escrevia ali o esboço de um sentimento. Da forma mais sincera possível. E então parecia tolo. E ele apagava e colocava no lugar uma regra de três, mesmo que não precisasse de uma regra de três ali.
– Vinte e nove.
Não que não fosse feliz na Engenharia, mas parecia-lhe que algo faltava. Algo que fosse só dele. Algo que não poderia ser descrito em qualquer equação matemática. Algo que não pudesse ser projetado. Algo que fosse simplemente feito.
– É bom.
Mas, quando o fazia, sentia que não era dele mesmo. Reconhecia-se, é claro, no que escrevera. Mas envergonhava-se. Como quando você se olha no espelho e percebe que engordou demais. Era isso que ele via, um gordo e desajeitado engenheiro fingindo ser poeta.
Não que fosse gordo, mas enfim…
– Joga.
Às vezes pegava-se lendo uma poesia e pensando “eu queria conseguir escrever algo assim”. E pensava se o Neruda, por exemplo, um dia teria olhado para uma ponte e pensado “eu queria ter projetado algo assim”. A resposta era não. Um barco, talvez. Em se tratando do Neruda… Mas não uma ponte.
– Faz essa, Alana.
E então desesperava-se ao pensar em qual seria seu legado. Ninguém se importa com pontes, ou estradas. Não importa quantas vezes por dia as pessoas as usem. Não importa o quão mais fáceis as coisas se tornem com pontes, ou estradas ou ferrovias. Todos as usam, ninguém se importa.
– Era essa a tua mais alta?
Então, dividia-se. Entre ser bem-sucedido fazendo uma coisa que amava, ou ser um fracasso monumental fazendo algo que almejava. Sentia-se idiota só de fazer-se essa pergunta.
– Eu te cutuquei por baixo da mesa! Eu não tenho nada!
Mas, por mais tola que fosse a pergunta, era preciso fazê-la… Para não se arrepender depois.
– Tu não me cutucou!
Seria feliz sendo um engenheiro?
– Cutuquei sim!
Sendo um poeta?
– Na verdade, tu me cutucou! Tu não cutucou ele!
Talvez… sendo um advogado?
– Ah, isso explica…
Mas, naqueles momentos de intervalo, jogando truco com os amigos, isso não lhe passava pela cabeça. Não se preocupava com o que seria. Sequer se preocupava em ser.
Apenas era…
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Engenharia
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6 Demonstrações de Atenção:
Adorei, Dedé! Adorei mesmo, me reconheci de levinho no meio de tudo.
Não é aceito, porra, é quero! fraco
Por isso eu vo fazer uma armadura de ferro que voa.
Eu sempre vou saber.
e vai dar a armadura pra mim.
Eu vou ter que fazer a armadura com pancinha?
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