quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sandra e o Computador

A relação entre Sandra e o seu computador era tensa.

– Você não é um computador! – gritou ela, certa vez – É um demônio! Um demônio do inferno!o diabo.

Não era incomum Sandra dirigir esse tipo de acusação ao computador. De tempos em tempos, e cada vez mais freqüentemente, o computador resolvia que a relação homem-máquina (ou, no caso, mulher-máquina) não era satisfatória. Essa relação devia envolver mais paciência e compreensão e menos autoridades e orden.

– Abre logo o programa, coisa estúpida! – respondia Sandra, batendo no CPU ou no monitor, quando o computador protestava.

Os vizinhos já estavam acostumados a ouvir impropérios e maldições provindo do aparatamento 7B. Às vezes, por volta das quatro da manhã, principalmente em período de provas, acordavam ouvindo coisas como:

– Cadê o arquivo! Eu salvei no desktop! Cadê o arquivo? Eu escrevi cinco páginas!

Às vezes, eles ouviam um choro baixinho.

– Abre logo o navegador! Abre logo! Eu só preciso checar as referências!

O computador se deleitava.

– A internet tava funcionando agora mesmo! Como assim “o cabo está desconectado”?

Ria-se por dentro.

– Eu vou te jogar pela janela, juro que vou!

Certa vez, um programa estava demorando muito para abrir. Sandra apertou “Ctrl”, depois o “Alt” e depois o “Delete”. O gerenciador de tarefas apareceu na tela. O programa estava exibindo a descrição “Não Respondendo” mas, antes que ela pudesse finalizá-lo, o próprio gerenciador de tarefas travou. “Um golpe de mestre”, o computador disse para si mesmo.

E assim, viviam os dois, dia após dia. A escrivaninha era um campo de batalha. E quem vencia era o status quo. Ela ameaçava jogá-lo fora, ele continuava travando para divertir a si mesmo.

Aconteceu que, certa vez. Sandra sentou-se no computador e anunciou:

– Seguinte: Esse trabalho é muito importante. Você não trava até eu terminá-lo e prometo que nunca mais te bato. Mas se travar, eu te jogo pela janela, ouviu?

O computador, em seu silêncio, fingiu consentir. O texto começou a ser digitado. No início, de forma lenta, errante e pausada, mas foi ganhando velocidade e forma com o tempo. Estava começando a fazer sentido. A argumentação de Sandra se delineava na tela, as referências estavam corretas. O arquivo era salvo de quando em quando, só pra garantir. Tudo ocorria perfeitamente.

Quando chegou a sexta página.

Na sexta página, o computador resolveu lembrar que um plugin precisava ser atualizado. Aproveitando a deixa, fingiu que exibir um arquivo de texto e um lembrete de atualização eram demais para ele. Travou. Recusou-se a seguir qualquer ordem. Deleitou-se em seu prazer sádico enquanto Sandra, desanimada, resetava o computador e suspirava com ansiedade na frente da tela.

Resolveu que não era o suficiente. Afinal, o arquivo estava salvo. Recusou-se a carregar o sistema operacional.

Sandra resetou de novo.

De novo, ele fingiu que não fazia a menor idéia de qual seria o próximo passo no sistema de inicialização. Disse que não conseguia de jeito nenhum acessar o sistema.

Sandra desabou. Lágrimas, pequenas mas concentradas, caíam de seus olhos. Ela tentava abafar o soluço. “Coisa infantil, chorar por causa disso”, ela fingiu pensar. Mas esse auto-engano não funcionou. Era perfeitamente razoável chorar por causa disso. E ela sabia. Entregou-se ao choro.

E o computador ria por dentro.

Após passado o primeiro momento de desespero, Sandra foi até janela e, acercando-se de que não havia nenhum transeunte na calçada, atirou o computador da janela do sétimo andar. Ela prometera, ele havia pedido por isso. Olhou com satisfação para a maçaroca destroçada de metal, plástico e outras coisas mais lá embaixo. O que restou do seu maldito computador, que o diabo lhe carregue!

Seu próximo pensamente foi “será que eu tenho uma marreta? Ainda não terminei com ele!”.

Apesar de ter rodado em quatro matérias naquele semestre, Sandra exibira um leve e persistente sorriso pelos cinco meses que se sequiram. E nada pôde tirar dela essa alegria naquele tempo.

5 Demonstrações de Atenção:

Felipe Vargas disse...

Isso lembra o meu pai... E.. O doug... =~~

Ariel disse...

As vezes dá vontade de fazer isso com o meu celular quando ele apita dizendo que já é hora de acordar e ir pra aula =P
Uma coisa que eu achei interessante, Bruder, é que teu desenho do computador ficou muito bom, tu tá desenhando bem pra chuchu *_*

Felipe Vargas disse...

Também quero amigos que mintam pra mim... =~~

paquiderme disse...

iauhaiahiauhauiahu
Já senti vontade de fazer isso XD

neebs disse...

oi :) lembrando que eu sempre passo por aqui :D que eu tenho teu bonequinho e que eu to com saudade. e que eu to de repouso em casa e acho que por isso tu podia escrever mais :D tururuuu

bezo!