quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sem Coragem Para Nomear

Talvez eu esteja exagerando...

Me impressiona a capacidade das pessoas de darem nomes aos seus filhos. Eu já acho difícil nomear cães! Por sorte, todos os meus já vieram nomeados. Claro, isso gerou aberrações nominais como Tertulia’s Murf e Banda. E o enorme clichê de ter uma cadela chamada Loba (se o bicho vai ter nome de bicho, por que não fazer certo e chamá-la logo de Cadela?). Até agora, só o Buck Jones escapou. Todos ótimos cães. Mas não sei se eles aprovariam os nomes se tivessem direito de voto.

Claro, eu não sou a melhor pessoa para julgar a nominação de um animal. Minha eterna obsessão por ter um gato e chamá-lo de Maquiavel deve ser o maior exemplo disso. Pensando bem, se o gato estivesse eternamente doente, mas insistisse em viver, eu o chamaria de Schrödinger. Aslam, claro é o nome ideal para um Golden Retriever (caso você não possa criar um leão em casa). E acho que Scott é um ótimo nome para um Rough Collie.

Chamar um cachorro de Scooby deveria ser um crime. Principalmente quando o cão é pequeno e não passa de um cusquinho. É cruel ter um nome irônico. E creio que, em breve, teremos uma geração de Labradores chamados Marley. John Grogan um dia notará esse fato e exclamará em alta voz: “O que foi que eu fiz?”

E eu pareço ser a única pessoa no mundo a achar que Charlie é nome de sapo e Roy é nome de pato (geralmente, as pessoas me dizem que é nome de rato).

Se já foram quatro parágrafos para nomes animalescos, que dizer de nomes de gente? Como diabos os pais decidem esse tipo de coisa? Como eles ousam tomar a decisão de nos dar um nome sem nos consultar? Com certeza, se eu pudesse escolher um nome para mim mesmo, André seria um dos primeiros a cair fora da lista. Esse nome me deixou eternamente obcecado com acentuação… Além de ser um nome tão… tão… Não há palavras para descrever…

Me contam que, originalmente, meu nome seria Samuel. Mas minha mãe pensou melhor e não gostou da expectativa de que me apelidassem de Samuca. Nessa parte, eu concordo totalmente. Se eu fosse mulher, me chamaria Marta, me contam as mesmas fontes. Sinceramente, se eu pudesse escolher, me chamaria Capitão Super Legal e Supimpa Darsie de Oliveira. Claro, a sigla não ficaria tão legal e propensa a trocadilhos como ADO é (a propósito, você viu ADO?), mas e daí? Eu obrigaria todos a me chamarem pelo meu nome completo! Acho que é assim que a família real portuguesa passava seu tempo livre:

– Alô, é da casa de Dom Pedro?

– Sim.

– Eu poderia falar com ele?

– Depende, você quer o Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon ou o Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga?

– Ah… o primeiro.

– Desculpe, ele está em portugal no momento.

– Sei, e quando ele volta?

– Nunca!

Outra coisa que eu acho fascinante é a idade do nome. Há o nome de velha, por exemplo, você nunca verá uma Ondina com menos de 60 anos. Uma Marlene ou uma Leda com menos de 40? Nem pensar! A única chance de você ter conhecido uma Sirley com menos de 40 anos é se você a conheceu há mais de 5 anos!

Lucas! O que as mães pensam quando dão aos seus filhos o nome de Lucas? Acho que é algo do tipo: “Meu filho vai ter esse nome porque eu quero que ele tenha 235 xarás na escola dele, forçando os amigos a inventarem apelidos pra ele!”. O lado bom é que os apelidos podem ser mais originais que os nomes.

Já os significados me assutam: Felipe é pra quando você quer que seu filho tenha uma tara por cavalos, claro. Andrea é pra quem quer ter uma filha machão. Já conheci um Bruno loiro. Eu me diverti com isso provavelmente mais do que eu deveria. Os Pablos, Paulos e afins que eu já conheci (tirando duas exceções) eram todos altos. E, afinal, por que cargas d’água alguém nomeia os filhos Moacir e Maria das Dores?

Algo que me assuta muito é o fênomeno Valquíria. Do nada, várias Valquírias surgiram por aí. Como se brotassem do solo. Valquíria é se você quer que ela seja sempre virgem e use sutiã de ferro e um capacete viking. Sem falar que ela deve cantar muito bem! Por falar em Valquírias, por que nenhum afccionado por mitologia nórdica não nomeia sua filha de Brunhilde?

E, por falar em mitologia, há aqueles nomes da antigüidade que nem eram tão ruins, mas que sempre ligamos a uma pessoa. Édipo, por exemplo, não é de todo o mal. Mas quem é a mãe que dará esse nome ao fiilho? Judas é outro que foi condenado ao extermínio (mesmo que Judas tenha sido um nome quase tão estupidamente comum quanto Jesus). Aliás, por falar em Bíblia, Jesus não é lá um nome tão raro quanto eu pensava na infância.

E isso leva ao nome Zacarias. Já percebeu como os nomes funcionam bem em uma língua e não em outra? Se eu morasse num país de língua inglesa, adoraria me chamar Zachary (Zack entra facilmente na lista de nomes/apelidos que adicionam “legalidade” a uma pessoa). Já Eduardo, funciona muito melhor em português. Aliás, só funciona até um anglófano tentar falar Eduardo ao invés de Edward. E aqui falo de pronúncia, não de transliteração. De alguma forma, os gringos precisam fazer soar estremamente estranhos nomes legais como Eduardo e Pedro (até mesmo André pode ficar muito bem em português se comparado à pronúncia inglesa).

E, claro, para fechar, há os nomes que são simplesmente absurdos gigantescos. Todos nós já passamos por listas de nomes estranhos e quase incríveis. Mas aqueles não são nada. Eles são produtos de obras claramente doentias (sem falar nos que são obviamente inventados). Há nomes muito mais absurdos em sua sutileza. É como comparar um tombo forçado com um tombo acidental, o segundo tem muito mais graça. Não poderia ficar de fora dessa sessão o nome Miquéias Appolinário (sim, com dois “p”s). Miquéias até que não é tão absurdo, dá pra se acostumar (eu defendo que André também é um nome ruim com o qual dá pra se acostumar), mas a adição de um Appolinário no fim é uma sacada genial de algum mestre do humor. Curiosamente, esse Miquéias era irmão mais velho de um Daniel. Isso quer dizer que os pais, querendo dar ao filho o nome de um profeta bíblico escolheram Miquéias como o melhor e, depois, como segunda opção, deram ao segundo filho o nome de Daniel (aliás, Miquéias é um dos profetas menores, ao passo que Daniel é dos profetas maiores).

Aliás, as série de eventos envolvendo o Miquéias Appolinário fica mais legal ainda quando Miquéias Appolinário informa que, em uma pequena cidade onde ele viveu, havia outra pessoa chamada Miquéias: uma garota. Também sei que há na cidade d’A Borda do Mundo um pastor chamado Primitivo Tertuliano. Não vou nem me aprofundar sobre o fato.

Após tudo isso, decidi que, quando eu tiver filhos, eles se chamarão Um, Dois, Três…

A propósito, George Costanza estava certo: Sete daria um nome ótimo para uma pessoa!

4 Demonstrações de Atenção:

Felipe Ventura Vargas disse...

De: FVV

"Na minha turma tem um cara que se chama 'Felipe Sete'...
Quando eu tiver um Border Collie ele vai se chamar Obi Wan Kenobi."

Para: csLSDo

Paulo Olmedo disse...

Pois é, eu me chamo Paulo e sou alto pra caramba, ainda nao tinha percebido a relação... :D
Em termos de nomes estapafúrdios nada supera a família do meu cunhado: a avó dele se chamava Presalpina Cesária e o tio Urbinolé Guarani.

Paulo Olmedo disse...

Ah, quanto às Valquírias, nada me tira da cabeça de que é culpa do Paulo Coelho... ¬¬

Xandinha disse...

Se eu fosse um menino meu nome seria Conrado. Se eu fosse uma menina meu nome seria Tainá.
Ai eu nasci Alexandra.